Eric,
Agora eu estou sentada do lado de fora, na varanda, como eu sempre faço quando preciso pensar com calma. Todas as vezes que eu te disse que precisava dar uma volta e eu saia pela porta dos fundos, eu dava a volta na minha casa e sentava no degrau da varanda. Exatamente onde eu estou agora.
Sabe ontem, quando você me ligou e ninguem atendeu? Eu estava lá, com o telefone na mão, olhando seu nome piscar. Você não deixou mensagem e não ligou de novo. Eu começo a pensar em você e sem perceber que ainda estou com o telefone na mão, dou por mim e já disquei seu numero. Pronta pra te ligar, ignorando meu medo de telefone... Seria tão simples! Eu ia te ligar, conversar com voce por 5 minutos e desligar com a certeza que você ainda é meu.
Já está de noite aqui e pensando bem, acho que é por isso que você continua ligando e aparecendo aqui e ali: só pra ter certeza que eu ainda continuo sua.
As vezes sinto sua falta. É engraçado como, apesar de todas as brigas e dores de cabeça, eu ainda sinto sua falta. Deve ser porque, com o tempo, tudo o que aconteceu passa e o que sobra são só as memórias. Só as boas. Sobrou tudo que a gente conversou e tudo que a gente colocou entre parenteses - o que a gente sempre quis dizer mas que nunca coube nas conversas.
Só quero deixar claro que eu fiz a minha escolha e saio daqui com a certeza que escolhi certo. Eu escolhi não escolher você. Escolhi dar preferencia pra alguém que resolveu se arriscar por mim - coisa que você nunca fez.
Não tem como saber ao certo como teria sido o que não foi, mas agora ficou claro que você nunca saiu da sua zona de conforto - não por mim, pelo menos. Talvez essa seja uma das razões pra você ter escolhido quem eu escolheu. Nunca foi um grande desafio conseguir o que você conseguiu. Você chegou aonde está hoje com uma mão nas costas e você sabia que eu não ia ser tão facil assim.
O que mais machuca é saber que você não achou que eu valia o esforço.
Todo esse "achismo" é o que sempre me fez mal e posso até dizer que foi isso que me manteu no mesmo lugar por todo esse tempo: Eu achando que as coisas iam dar certo se eu esperasse mais um pouco; se eu tivesse um pouco de paciencia e você achando que a resposta ia cair no seu colo cedo ou tarde, sem ao menos acreditar. Mas eu acreditei, é claro. Acreditei tanto que estava disposta a sair da minha bolha por sua causa. Ta aí a diferença entre nós dois.
Agora é tarde demais pra se arrepender do que não deu. Por um tempo eu tentei ser maior e melhor por sua causa, mas eu acho que no final eu acabei sendo grande demais ou até boa demais pra você.
Não vou dizer que me sinto mais leve por estar finalmente dizendo isso tudo pra você porque colocar um ponto final nessa história é mais ou menos como doar as coisas que estão no sotão: você não usa mas gosta de ter guardado, só pra saber que se um dia você precisar, ainda está lá. Se eu pudesse, te guardava numa caixa e te colocava no sotão, mas o espaço é pouco e aposto que você não ia deixar por pouco. Eu sei que no momento certo eu vou começar a me sentir menos culpada e mais leve, o que foi o motivo disso tudo desde o começo.
Agora esta começando a ventar e eu acho melhor entrar. O melhor de sair, na minha opnião, sempre foi saber que ia ter alguem me esperando quando eu voltar e nesse exato momento, tem alguem do outro lado que vai sorrir assim que eu abrir a porta.
Espero que você ache tudo que eu achei. O segredo sempre foi sair da zona e mesmo que você fizesse de conta que não, você sempre soube disso.
Com amor. Sempre.
Kate
sábado, 15 de agosto de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Percepção
Sentada no bar, observando o gelo que derretia no fundo do copo, eu tamborilava uma musica qualquer com os dedos.
- Você gosta dela? - quando o homem fala comigo eu me assusto e bato a mão no copo.
- Como?
- Britney Spears. - ele sorria para mim. Belo sorriso, por sinal. - Você gosta dela?
Eu dei os ombros.
- Não sou grande fã, mas ela é legal.
- Estranho... - ele pareceu pensativo por um momento. - As pessoas são muito extremistas quando o assunto é ela. Em geral elas amam ou odeiam... Conhece esse jogo?
- Não. Como é.
Ele me explica, contente. Alguém diz um assunto, uma pessoa ou qualquer outra coisa e você decide se ama ou odeio. Não vale ser neutro.
- E se eu for neutra? - eu perguntei desconfiada.
- Não é permitido ser neutro. Então escolha - ele dá um gole no 'sabe-lá-o-que' ele está bebendo - Britney Spears: Ama ou odeio?
Eu penso por um segundo e respondo hesitante.
- Hum... Odeio. E você?
- Ótimo, eu também.
- Jura?
- Claro. Mulher sem nenhum talento. - ele aponta para mim - Sua vez.
- Não tenho ideia nenhuma. Vai você.
- Ok... Calça boca-de-sino?
Dessa vez, eu não preciso pensar para responder.
- Odeio, é tão cafona!
- Eu sei, também odeio.
- Minha vez: Paul McCartney?
- Amo.
- Eu também.
Continuamos a jogar enquanto o gelo derretia no meu copo.
No fim das contas, nós dois amamos - ou pelo menos amamos mais do que odiamos - assistir campeonatos de poker pela tv, musicas antigas e o Bill Clinton. Nós dois odiamos - ou odiamos mais do que amamos - pessoas que moram perto da praia (pelo fato delas morarem perto da praia mas nunca irem à praia), gatos magros e o Ross de Friends. Desempatamos sobre vodca (eu acho amargo, ele ama qualquer coisa que tenha alcool), bichos de pelúcia (eu amo, ele tem alergia), Brad Pitt (ele ama, eu ainda não o perdoei por terminar com a Jennifer) e filmes que se passam no interior (eu amo, ele não consegue parar de pensar no cheiro do lugar).
Percebo que eu gosto (quer dizer, amo) desse jogo. Ser radical, tomar um partido, ficar de um lado. Tudo ou nada. Faço o mesmo com você. Mudo de opnião sobre você várias vezes mas sempre sendo extrema: amo, odeio, amo de novo, odeio de novo.
Sabe aquela história da "linha tênua"? Pois é, percebi que é tudo verdade. Lembro da minha mãe me dizendo que o oposto do amor não é o odio, sim a indiferença. Esse é meu objetivo. Ser indiferente a você.
Percebo que o gelo do meu copo virou agua. É hora de ir para casa.
- Posso te acompanhar? - ele pergunta e eu dou os ombros. Que mal teria aquilo?
Nós caminhamos juntos até meu apartamento e quando chegamos na porta, eu brinco com a chave entre os dedos. Tomara que ele não tenha visto aquele filme. Por favor, não tenha assistido...
Ele ri baixo e eu percebo que ele assistiu o filme. Ah, que se dane. Ele se aproxima e eu não faço menção de me afastar. Ele toma isso como um "sim" definitivo.
- Eu realmente preciso entrar - eu me afasto e ele não me segura.
Quando eu murmuro qualquer "Tchau" baixo, ele segura minha mão. Eu viro.
- Beijar alguém que você acabou de conhecer: Ama ou odeia?
Eu rio.
- Amo.
Ele dá um sorriso sarcástico.
- Concordo.
Destranco a porta e enquanto giro a chave na fechadura, fico imaginando se ele também mentiu.
- Você gosta dela? - quando o homem fala comigo eu me assusto e bato a mão no copo.
- Como?
- Britney Spears. - ele sorria para mim. Belo sorriso, por sinal. - Você gosta dela?
Eu dei os ombros.
- Não sou grande fã, mas ela é legal.
- Estranho... - ele pareceu pensativo por um momento. - As pessoas são muito extremistas quando o assunto é ela. Em geral elas amam ou odeiam... Conhece esse jogo?
- Não. Como é.
Ele me explica, contente. Alguém diz um assunto, uma pessoa ou qualquer outra coisa e você decide se ama ou odeio. Não vale ser neutro.
- E se eu for neutra? - eu perguntei desconfiada.
- Não é permitido ser neutro. Então escolha - ele dá um gole no 'sabe-lá-o-que' ele está bebendo - Britney Spears: Ama ou odeio?
Eu penso por um segundo e respondo hesitante.
- Hum... Odeio. E você?
- Ótimo, eu também.
- Jura?
- Claro. Mulher sem nenhum talento. - ele aponta para mim - Sua vez.
- Não tenho ideia nenhuma. Vai você.
- Ok... Calça boca-de-sino?
Dessa vez, eu não preciso pensar para responder.
- Odeio, é tão cafona!
- Eu sei, também odeio.
- Minha vez: Paul McCartney?
- Amo.
- Eu também.
Continuamos a jogar enquanto o gelo derretia no meu copo.
No fim das contas, nós dois amamos - ou pelo menos amamos mais do que odiamos - assistir campeonatos de poker pela tv, musicas antigas e o Bill Clinton. Nós dois odiamos - ou odiamos mais do que amamos - pessoas que moram perto da praia (pelo fato delas morarem perto da praia mas nunca irem à praia), gatos magros e o Ross de Friends. Desempatamos sobre vodca (eu acho amargo, ele ama qualquer coisa que tenha alcool), bichos de pelúcia (eu amo, ele tem alergia), Brad Pitt (ele ama, eu ainda não o perdoei por terminar com a Jennifer) e filmes que se passam no interior (eu amo, ele não consegue parar de pensar no cheiro do lugar).
Percebo que eu gosto (quer dizer, amo) desse jogo. Ser radical, tomar um partido, ficar de um lado. Tudo ou nada. Faço o mesmo com você. Mudo de opnião sobre você várias vezes mas sempre sendo extrema: amo, odeio, amo de novo, odeio de novo.
Sabe aquela história da "linha tênua"? Pois é, percebi que é tudo verdade. Lembro da minha mãe me dizendo que o oposto do amor não é o odio, sim a indiferença. Esse é meu objetivo. Ser indiferente a você.
Percebo que o gelo do meu copo virou agua. É hora de ir para casa.
- Posso te acompanhar? - ele pergunta e eu dou os ombros. Que mal teria aquilo?
Nós caminhamos juntos até meu apartamento e quando chegamos na porta, eu brinco com a chave entre os dedos. Tomara que ele não tenha visto aquele filme. Por favor, não tenha assistido...
Ele ri baixo e eu percebo que ele assistiu o filme. Ah, que se dane. Ele se aproxima e eu não faço menção de me afastar. Ele toma isso como um "sim" definitivo.
- Eu realmente preciso entrar - eu me afasto e ele não me segura.
Quando eu murmuro qualquer "Tchau" baixo, ele segura minha mão. Eu viro.
- Beijar alguém que você acabou de conhecer: Ama ou odeia?
Eu rio.
- Amo.
Ele dá um sorriso sarcástico.
- Concordo.
Destranco a porta e enquanto giro a chave na fechadura, fico imaginando se ele também mentiu.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Relatório final
Sentada na cama, repassando tudo o que eu já pensei em dizer tantas vezes, não consegui falar nada.
Antigamente, no começo de tudo, a gente falava o tempo todo. Agora, nossa conversa tem muitos silêncios constrangedores que são cheios de significados que eu não consigo entender; cheia de "mas então..." e suspiros.
Eu fico com dor de cabeça de tanto pensar e nunca chego numa conclusão. Como foi que a gente acabou desse jeito mesmo?
Porque, você sabe, nós literalmente acabamos.
Não posso dizer que não tem mais graça, mas também não vou conseguir mentir e dizer que ainda tem a mesma graça de sempre.
Eu sempre achei que ia acabar com você, sabia? No final dos finais, depois de ter conhecido todo mundo que eu tinha que conhecer e depois de fazer tudo que eu tinha pra fazer. Sempre jurei que, um dia, quando eu fosse bem resolvida, eu ia esbarrar com você numa esquina em Paris ou em outro lugar assim, ia olhar pra você, franzir o cenho como eu sempre faço quando acho que entendi alguma coisa e lembrar da gente. A gente poderia até tomar um café, quem sabe. Mas era você, sempre você.
Faz um tempo, eu comecei a duvidar disso. Eu conseguia me imaginar tomando café com outras pessoas e até congitava acabar com alguém que eu ainda não conhecia.
Mas agora, eu tenho certeza. Não é com você que eu vou acabar.
Você me deixa louca o tempo todo e eu sei que eu te irrito mais do que ninguém nesse mundo.
As pessoas ainda falam "nossa, vocês vão casar!" mas eu faço caretas sinceras e explico que não quero isso. Nem pra mim, nem pra você.
O que eu acabei de perceber é que eu acho que acabou mesmo. Minha meta pro ano que vem é parar de olhar pro visor do celular a cada 5 minutos até depois das 2h, afinal, já foram dois anos caindo de cara.
Você não me faz bem, não mais.
Está mais do que na hora de eu começar a ouvir os conselhos que eu sempre dei pra minhas amigas, sobre "deixar pra lá" e "parar de procurar sarna pra se coçar".
Então, acho que é isso: Pode guardar suas musicas pra você.
Tenha uma ótima vida e pode ter certeza que eu guardo o melhor do você comigo.
Marina.
Antigamente, no começo de tudo, a gente falava o tempo todo. Agora, nossa conversa tem muitos silêncios constrangedores que são cheios de significados que eu não consigo entender; cheia de "mas então..." e suspiros.
Eu fico com dor de cabeça de tanto pensar e nunca chego numa conclusão. Como foi que a gente acabou desse jeito mesmo?
Porque, você sabe, nós literalmente acabamos.
Não posso dizer que não tem mais graça, mas também não vou conseguir mentir e dizer que ainda tem a mesma graça de sempre.
Eu sempre achei que ia acabar com você, sabia? No final dos finais, depois de ter conhecido todo mundo que eu tinha que conhecer e depois de fazer tudo que eu tinha pra fazer. Sempre jurei que, um dia, quando eu fosse bem resolvida, eu ia esbarrar com você numa esquina em Paris ou em outro lugar assim, ia olhar pra você, franzir o cenho como eu sempre faço quando acho que entendi alguma coisa e lembrar da gente. A gente poderia até tomar um café, quem sabe. Mas era você, sempre você.
Faz um tempo, eu comecei a duvidar disso. Eu conseguia me imaginar tomando café com outras pessoas e até congitava acabar com alguém que eu ainda não conhecia.
Mas agora, eu tenho certeza. Não é com você que eu vou acabar.
Você me deixa louca o tempo todo e eu sei que eu te irrito mais do que ninguém nesse mundo.
As pessoas ainda falam "nossa, vocês vão casar!" mas eu faço caretas sinceras e explico que não quero isso. Nem pra mim, nem pra você.
O que eu acabei de perceber é que eu acho que acabou mesmo. Minha meta pro ano que vem é parar de olhar pro visor do celular a cada 5 minutos até depois das 2h, afinal, já foram dois anos caindo de cara.
Você não me faz bem, não mais.
Está mais do que na hora de eu começar a ouvir os conselhos que eu sempre dei pra minhas amigas, sobre "deixar pra lá" e "parar de procurar sarna pra se coçar".
Então, acho que é isso: Pode guardar suas musicas pra você.
Tenha uma ótima vida e pode ter certeza que eu guardo o melhor do você comigo.
Marina.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Aos que não lembraram
"Só mais 5 minutos", eu pensava. "Se em 5 minutos ele não ligar, eu vou dormir".
E de 5 em 5 minutos, você não ligou. De 5 em 5 minutos, eu esperei até muito tarde. Tarde mesmo. Até passou da hora, de tão tarde que era, mas eu estava esperando mesmo assim.
O telefone tocou algumas vezes e em nenhuma delas era você.
Eu estava até preparada pra aceitar qualquer desculpinha que você tivesse inventado. Qualquer festa pra onde você foi arrastado, qualquer pití da fulaninha, qualquer passeio com o cachorro servia, mas nem isso aconteceu.
Eu teria te contado que quando virou meia noite eu estava fora e nem lembrei de comentar; teria te dito que quando eu acordei, não tava com cara de 16. Eu ia comentar sobre o churrasco; sobre o parabéns que eu tive que presenciar e sobre como eu fiquei roxa e morrendo de raiva. Isso se você tivesse ligado, é claro.
Sabe, eu passei o dia com as meninas e nem isso salvou o dia de ser broxante. É tudo culpa do domingo, sabe? Mas não que você tenha ligado pra perguntar, de qualquer jeito.
Tirei o avisinho de orkut e quase ninguem lembrou. Umas 12 pessoas, no máximo.
Mas você não ter ligado foi o pior de tudo.
Eu fiquei lendo o livro que eu ganhei (obrigada, vó) e fingindo que não estava esperando. Lá pelo capitulo 8, desisti de fingir e coloquei a celular do lado do travesseiro. Quando eu cheguei no capitulo 13, já eram 3h e nada de você.
"Ah, foda-se! Se não ligou até agora, não quero mais saber."
Eu fui dormir.
As 8:40, o telefone tocou. Finalmente. E era você.
Mas quer saber? Hoje não é mais ontem e eu tô com muito sono pra você.
E de 5 em 5 minutos, você não ligou. De 5 em 5 minutos, eu esperei até muito tarde. Tarde mesmo. Até passou da hora, de tão tarde que era, mas eu estava esperando mesmo assim.
O telefone tocou algumas vezes e em nenhuma delas era você.
Eu estava até preparada pra aceitar qualquer desculpinha que você tivesse inventado. Qualquer festa pra onde você foi arrastado, qualquer pití da fulaninha, qualquer passeio com o cachorro servia, mas nem isso aconteceu.
Eu teria te contado que quando virou meia noite eu estava fora e nem lembrei de comentar; teria te dito que quando eu acordei, não tava com cara de 16. Eu ia comentar sobre o churrasco; sobre o parabéns que eu tive que presenciar e sobre como eu fiquei roxa e morrendo de raiva. Isso se você tivesse ligado, é claro.
Sabe, eu passei o dia com as meninas e nem isso salvou o dia de ser broxante. É tudo culpa do domingo, sabe? Mas não que você tenha ligado pra perguntar, de qualquer jeito.
Tirei o avisinho de orkut e quase ninguem lembrou. Umas 12 pessoas, no máximo.
Mas você não ter ligado foi o pior de tudo.
Eu fiquei lendo o livro que eu ganhei (obrigada, vó) e fingindo que não estava esperando. Lá pelo capitulo 8, desisti de fingir e coloquei a celular do lado do travesseiro. Quando eu cheguei no capitulo 13, já eram 3h e nada de você.
"Ah, foda-se! Se não ligou até agora, não quero mais saber."
Eu fui dormir.
As 8:40, o telefone tocou. Finalmente. E era você.
Mas quer saber? Hoje não é mais ontem e eu tô com muito sono pra você.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Questão de principios
Eu acho que eu nunca te disse o quanto eu gosto de você, não é? Bom, aqui está. Acho que você devia saber que vou sentir muito a sua falta, apesar de eu mesma não saber quanto é esse 'muito'.
É estranho pensar que eu vou sentir falta de alguma coisa que, até pouco tempo atrás, eu não sabia que eu fazia questão. Mas eu faço.
Aí está o problema. Eu faço questão de você.
Nunca achei que eu ia precisar de algo desse tipo e, realmente, eu não preciso. Mas ainda assim, é tão legal.
Cada 'se cuida' é alguma coisa e só o fato de você querer saber se eu fui já é o bastante. Também me agrada bastante o fato de você querer saber se eu vou, apesar de você próprio não poder ir.
Eu não ligo se você vai pra todos os lugares de chinelo e eu só uso tênis; não ligo se você odeia as musicas que eu escuto e eu nunca ouvi falar das suas bandas favoritas. E daí se você é a pessoa mais sociável que eu já vi e eu não consigo nem falar no telefone direito?
Apesar de você me deixar irritada de próposito, eu vou sentir falta disso também.
Não ligo se você vai contra tudo que eu acredito ou se eu sou totalmente errada pra você.
Só o fato de você se importar já é alguma coisa e isso é o bastante por agora.
É estranho pensar que eu vou sentir falta de alguma coisa que, até pouco tempo atrás, eu não sabia que eu fazia questão. Mas eu faço.
Aí está o problema. Eu faço questão de você.
Nunca achei que eu ia precisar de algo desse tipo e, realmente, eu não preciso. Mas ainda assim, é tão legal.
Cada 'se cuida' é alguma coisa e só o fato de você querer saber se eu fui já é o bastante. Também me agrada bastante o fato de você querer saber se eu vou, apesar de você próprio não poder ir.
Eu não ligo se você vai pra todos os lugares de chinelo e eu só uso tênis; não ligo se você odeia as musicas que eu escuto e eu nunca ouvi falar das suas bandas favoritas. E daí se você é a pessoa mais sociável que eu já vi e eu não consigo nem falar no telefone direito?
Apesar de você me deixar irritada de próposito, eu vou sentir falta disso também.
Não ligo se você vai contra tudo que eu acredito ou se eu sou totalmente errada pra você.
Só o fato de você se importar já é alguma coisa e isso é o bastante por agora.
sábado, 8 de novembro de 2008
Sobre bater e chamar de volta
No carro, com sono, eu comecei uma conversa sobre sei lá o que com a Laysa e a Izadora e acabei falando sobre amizades. Ah, que demodê.
Mas eu sei que as coisas podiam ter sido diferentes.
Eu podia ter preferido ficar em casa dormindo ao invés de levantar cedo todos os sábados pra ir pra São Paulo e aí, eu não ia rir da Laysa saindo de trás da porta no Magal e nem ia ficar horas no telefone com a Iza falando sobre coisa nenhuma. Eu não sei nem se eu ia falar com alguma das duas, a não ser nas quintas-feiras cordiais onde eu vou pro Metrópole e é aquele 'oi amor, que saudade. Como você está?' de sempre.
Ou se, sei lá, eu tivesse ficado no Pueri. Eu não ia ter os silêncios no carro que acabam assim que a gente põe o pé na escola. Eu não ia apontar pra meia das pessoas e ver a Carol rindo a risada da Eliana.
Mas foi do jeito que foi. Eu não falo mais inglês na sala de aula nem dou olhadas furtivas pra Fernanda quando tem 'macacos' no assunto.
Eu nunca prometi, no meio daquela efusividade de 'fim de 8ª série', que ia ser igual; que nada ia mudar, porque até uma retardada podia saber que as coisas iam sim mudar.
E sabe do que mais? As coisas vão mudar de novo.
O Ábaco, o teatro... Ta tudo acabando. A Mansão acaba daqui duas semanas, eu vou pra Nova Zelândia e a Raíssa vai pra FEI.
Não tenho a minima ideia do que vou fazer dia 29 de novembro, quando eu acordar no meu primeiro dia de férias. Eu sei que até o dia 28, eu vou enrolar o máximo pra não precisar estudar e vou sair da sala de prova, procurar as meninas e fazer comentarios sobre os resultados. Nos dois finais de semana que me sobraram, eu vou olhar pro relógio e ver que eu estou atrasada, vou correr pra arrumar minhas coisas e vou encontrar as três meninas com quem eu mais passei meu tempo nesse ano.
A partir do dia 29, eu estou no escuro. Não faço ideia do que vou fazer.
Ou melhor, eu sei que dia 09 de janeiro, eu vou pro lugar pra onde eu quero voltar desda ultima vez que eu saí de lá e sei que dia 28, enquanto todas as pessoas do Ábaco estiverem voltado pras salas de aula e pra Vera, eu vou estar num avião, indo pra Oceania.
Mas fora isso, meus dias estão em branco e eu posso jurar que, pelo menos por hoje, as coisas vão ser pra sempre.
Amanhã, eu talvez mude de idéia, mas hoje não. Hoje, eu tenho certeza que a Raissa vai estar no msn; sei que a Carol está na casa do lado; sei que a Izadora vai atender o telefone se eu ligar e sei que a Laysa vai estar comigo sempre quando eu precisar dela.
Pelo menos, por enquanto.
Mas eu sei que as coisas podiam ter sido diferentes.
Eu podia ter preferido ficar em casa dormindo ao invés de levantar cedo todos os sábados pra ir pra São Paulo e aí, eu não ia rir da Laysa saindo de trás da porta no Magal e nem ia ficar horas no telefone com a Iza falando sobre coisa nenhuma. Eu não sei nem se eu ia falar com alguma das duas, a não ser nas quintas-feiras cordiais onde eu vou pro Metrópole e é aquele 'oi amor, que saudade. Como você está?' de sempre.
Ou se, sei lá, eu tivesse ficado no Pueri. Eu não ia ter os silêncios no carro que acabam assim que a gente põe o pé na escola. Eu não ia apontar pra meia das pessoas e ver a Carol rindo a risada da Eliana.
Mas foi do jeito que foi. Eu não falo mais inglês na sala de aula nem dou olhadas furtivas pra Fernanda quando tem 'macacos' no assunto.
Eu nunca prometi, no meio daquela efusividade de 'fim de 8ª série', que ia ser igual; que nada ia mudar, porque até uma retardada podia saber que as coisas iam sim mudar.
E sabe do que mais? As coisas vão mudar de novo.
O Ábaco, o teatro... Ta tudo acabando. A Mansão acaba daqui duas semanas, eu vou pra Nova Zelândia e a Raíssa vai pra FEI.
Não tenho a minima ideia do que vou fazer dia 29 de novembro, quando eu acordar no meu primeiro dia de férias. Eu sei que até o dia 28, eu vou enrolar o máximo pra não precisar estudar e vou sair da sala de prova, procurar as meninas e fazer comentarios sobre os resultados. Nos dois finais de semana que me sobraram, eu vou olhar pro relógio e ver que eu estou atrasada, vou correr pra arrumar minhas coisas e vou encontrar as três meninas com quem eu mais passei meu tempo nesse ano.
A partir do dia 29, eu estou no escuro. Não faço ideia do que vou fazer.
Ou melhor, eu sei que dia 09 de janeiro, eu vou pro lugar pra onde eu quero voltar desda ultima vez que eu saí de lá e sei que dia 28, enquanto todas as pessoas do Ábaco estiverem voltado pras salas de aula e pra Vera, eu vou estar num avião, indo pra Oceania.
Mas fora isso, meus dias estão em branco e eu posso jurar que, pelo menos por hoje, as coisas vão ser pra sempre.
Amanhã, eu talvez mude de idéia, mas hoje não. Hoje, eu tenho certeza que a Raissa vai estar no msn; sei que a Carol está na casa do lado; sei que a Izadora vai atender o telefone se eu ligar e sei que a Laysa vai estar comigo sempre quando eu precisar dela.
Pelo menos, por enquanto.
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